Infelizmente abriu (ou não está sempre aberta…) mais uma época de futebol… o Europeu… Há maneiras mais inteligentes de desperdiçar 90 minutos numa vida do que a ver um jogo de futebol, mas parece que pertenço a uma minoria… Adiante. Um pequeno desabafo:
O caso específico da Selecção Nacional (independente do seu mérito), não passa de mais um anestésico que é tal maná que cai do céu, e que muitos agradecem tendo em conta a situação actual do país… Enquanto a malta se vai entretendo com o esférico, a vida continua mas mais subtilmente, como direi, um bocado anestesiados.. É o autocarro, o avião, o jogos, sei lá mais o quê. O que interessa é empalhar… Meia hora dos tele-jornais vão nesta treta, o resto é rodapé…
O facto de termos uma Selecção Nacional tem uma grande vantagem do ponto de vista psicológico sobre o país: mesmo que não passem dos preliminares sempre é fácil todos culparem alguém que está perfeitamente identificado: o treinador, o guarda redes, os jogadores, o arbitro, a Federação, percebem a ideia, certo?
É sempre mais fácil de que nos culpar-mos a nós próprios… quando estamos conscientes…
Enquanto falhamos como país democrático, com pseudo-elites, clientelas, sem leis anti-corrupção paradas logo na sua infância, com necessidades absoluta de decidirmos o que se tem de fazer para melhorar o nível de vida de todos nós mas antes a decidi-se pela forma e não pelo conteúdo, pela a educação, saúde, apoio aos mais novos e aos mais velhos, um estado eficiente, etc, aí já temos de nos culpar todos nós porque quem queiramos quer não somos nós que elegemos que ocupa os cargos da nação…
Temos de nos culpar todos nós, não a Selecção, ou treinador, os jogadores, e aí doi muito mais…
Temos de nos culpar pelo facto de que votamos para quem se auto-intitula político e/ou se encontra organizado politicamente chegue ao poder seja local, central ou global, mas não tem de facto espírito de missão para salvar o país, ou salvar o quer quer que seja mas sim somente a salvar-se a si próprio assim que as coisas apertam. Basta ver a “circulação” de cargos…
Neste caso é sempre mais complicado nos culparmos a nós próprios do que a Selecção, o treinador, pois neste caso somos nós que os escolhemos para ocupar os cargos da nação… Como eu percebo agora o que o José Saramago dizia numas eleições de que deviamos votar todos em branco…
Encontra-se assim activo um escape psicológico para toda esta miséria e podridão latente, qual Aspirina, na participação da Selecção no Europeu…
Mas a doença corre fundo e mal o Futebol acabe, mal acabe a euforia temporária, a realidade vincará com mais força o verdadeiro estado da nação, mas por enquanto estamos anestesiados pelo menos durante um mês (e há quem respire de alívio pela folga…)
PS: Espero que a selecção ganhe alguma coisa, mas só meto bandeirinha na janela, quando sairmos da cauda da Europa numa série de factores. Até lá, o futebol é só um jogo… e divirtam-se!